7 simples passos para alinhar o que vai no Produto Mínimo Viável (MVP)

O produto mínimo viável, em Inglês Minimum Viable Product (MVP), é a versão mais simples de um produto que pode ser disponibilizada para o negócio. O MVP determina quais são as funcionalidades mais essenciais para que se tenha o mínimo de produto funcional que possa agregar valor para o negócio (produto mínimo) e que possa ser efetivamente utilizado e validado pelo usuário final (produto viável).

plano de evolução do produto baseado em MVP

exemplo de plano de evolução do produto aseado em MVP

Entretanto, tradicionalmente, os produtos são definidos com todas suas funcionalidades. Descreve-se todo o produto. Alguém tem a visão do todo e está interessado em construí-lo. Cria-se de define-se o plano de construção do produto.

traditional-product

exemplo de plano tradicional de criação de produto

Mas estamos lidando com dois approaches distintos:  (1) Maximizar as chances de sucesso, logo, devemos construir um produto com tantas funcionalidades quanto possível. Quanto mais funcionalidades você tiver, maior a chance de sucesso, ou  (2) Entregar rápido, entregar frequentemente; sendo assim, vamos obter feedback o quanto antes. O produto é construído de forma incremental, com MVPs recém-criados sendo adicionados ao produto já existente. A entrega contínua e incremental proporciona o aumento do valor do produto ao longo do tempo, enquanto conseguimos obter feedback o mais rápido possível, e validar is hipóteses do negócio.

Não é fácil lidar com essa disparidade entre o significado de Produto Mínimo Viável e a entendimento do produto como um todo. Depois de experimentar muitas atividades que buscam aceitar o todo, mas focam em MVPs, documentei uma receita que vem sendo aplicada com muito sucesso. A esse conjunto de práticas e técnicas dei o nome de Direto ao Ponto, e compartilhei no livro (recém publicado) com o mesmo nome. Segue abaixo os 7 passos desta receita.

 

1.      Visão do produto

Com a ajuda de uma visão clara do produto, você pode determinar quais e como as primeiras peças do seu quebra-cabeça do negócio vão se juntar. Você deve decidir sobre qual característica do produto o caminho inicial será trilhado, e qual será a sua estratégia de posicionamento.

Para [cliente final],

cujo [problema que precisa ser resolvido],

o [nome do produto]

é um [categoria do produto]

que [benefício-chave, razão para adquiri -lo].

Diferentemente da [alternativa da concorrência],

o nosso produto [diferença-chave].

 

2.      Objetivos do produto

Decidir o que NÂO fazer é TÂO IMPORTANTE quanto decidir o que fazer.

O produto é…

O produto não é…

O produto faz…

O produto não faz…

 

Se você tiver que resumir este produto em três objetivos para seus usuários, quais seriam eles?

3.      Personas

Uma persona representa um usuário do sistema, descrevendo não só o seu papel, mas também suas características e necessidades específicas. Isto cria uma representação realística de usuários, auxiliando o time a descrever funcionalidades do ponto de vista de quem interagirá com o produto final.

exemplo-personas-perfil-comp-obj

4.      Funcionalidades

Funcionalidade é a descrição de uma ação ou interação de um usuário com o produto. Por exemplo: imprimir nota fiscal, consultar extrato detalhado, e convidar amigos do facebook.

A descrição de uma funcionalidade deve ser o mais simples possível. O usuário está tentando fazer uma coisa. O produto dever ter uma funcionalidade para isso. Que funcionalidade é essa?

Dado que já temos as personas e os principais objetivos do produto. A seguinte pergunta ajuda com a descoberta de funcionalidades:

O que precisa ter no produto para que tal persona alcance tal objetivo?

sample-features

Os gráficos a seguir auxiliam com o entendimento técnico, o entendimento de negócio, a estimativa de esforço e a estimativa de valor de negócio.

marcanfo-funcionalidades

gráficos para auxiliar na marcação das funcionalidades

No primeiro gráfico (a esquerda da foto) a funcionalidade recebe uma cor, na segunda, marcações de valor e esforço. A cor representa o nível de incerteza da feature: vermelho para um nível de incerteza alto, amarelo médio e verde baixo. Enquanto que marcações de valor de negócio e esforço variam numa escala de uma, duas ou três vezes comparativamente; por exemplo E, EE, e EEE. Tal cor e marcação vai ajudar a equipe nas atividades subsequentes para priorizar, estimar e planejar.

5.      Jornadas do usuário

A jornada do usuário descreve o percurso de um usuário por uma sequência de passos dados para alcançar um objetivo. Alguns desses passos representam diferentes pontos de contato com o produto, caracterizando a interação do usuário com ele.

Perguntas simples ajudam com o início da descrição das jornadas. Alguns exemplos:

– Qual objetivo tal persona quer alcançar?

– Como ela começa seu dia?

– O que ela faz antes disso?

Depois de descritas as jornadas, busque as funcionalidades necessárias para cada passo.

6.      O Sequenciador de funcionalidades

O Sequenciador de funcionalidades auxilia na organização e visualização das funcionalidades e da sequência de liberação de entrega incremental do produto mínimo e viável, os MVPs. O sequenciador organiza e planeja entregas do produto além do primeiro MVP. Além dos cartões de funcionalidades sequenciados, o sequenciador mostra claramente o agrupamento de funcionalidades para cada MVP. Isto é representado por post-it (por exemplo os post-its MVP1, MVP2 e MVP3) os quais demarcam  a sequencia de funcionalidades compondo cada MVP.

secuenciador-2

7.      O Canvas MVP

Enfim, chegamos ao ápice da inception enxuta: o Canvas MVP. Nele vamos detalhar o MVP e suas funcionalidades, sob as perspectivas de Design Thinking e do Lean StartUp.

Nesta atividade,  toda a análise realizada até o momento (produto, personas, features, jornadas e MVP) é colocada a prova perante um canvas com blocos bem definidos, específicos, e essenciais para corroborar sobre o MVP em questão.

MVP_Canvas_Template-ptbr-v2

O Canvas MVP é dividido em sete blocos, que respondem as seguintes perguntas

  1. Visão do MVP – Qual é a visão para este MVP?
  2. Métricas para validar as hipóteses do negócio – Como podemos medir os resultados deste MVP?
  3. Resultado esperado – Que aprendizado ou resultado estamos buscando neste MVP?
  4. Funcionalidades – O que vamos construir neste MVP? Que ações serão simplificados/melhoradas nesta MVP?
  5. Personas & Plataformas – Para quem é este MVP? Em que plataforma estará disponível?
  6. Jornadas – Quais jornadas são atendidas ou melhoradas com este MVP?
  7. Custo & Cronograma – Qual é o custo e a data prevista para a entrega deste MVP?

 

Veja neste post fotos de cada passo.

 

Leia o livro: Direto ao Ponto: Criando produtos de forma enxuta

 

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