Lean Inception e o ‘As Is / To Be’

Segue um Q&A recorrente sobre Lean Inception e atividade  ‘As Is / To Be’.

Pergunta: Pensei em fazer um desenho de processo “as is” e “to be” e identificar os pontos de melhoria (bem tradicional, né? rs…), isso logo no início da Lean Inception; O que você acha?

Resposta: Adorei o seu lado tradicional 🙂 pontos de melhoria são sempre bem-vindos!

Eu sempre sigo a agenda da Lean Inception. Mas o que geralmente acontece é que logo no início, kick off e depois na atividade visão do produto, vão surgir muitas conversas sobre os pontos de melhoria.

agenda Lean Inception
agenda da Lean Inception

Muita conversa, mas ainda pouca definição no nível de funcionalidades (isso vem depois). Nesse momento, conversas ainda de alto nível, discutindo os pontos de melhoria, entretanto mantendo o foco no kick-off do produto/projeto e na atividade visão do produto (para quem ele é, qual problema resolve, suas principais características, o que tem de diferente em relação a solução antiga ou a outras opções…).

Eu me preocupo um pouco em fazer uma atividade de “as is/ to be”, especialmente no início da Lean Inception. Eu prefiro manter o foco do produto no “to be”, e deixar as conversas de migração de “as is” para “to be” aparecerem mais localizadas, a nível de funcionalidade. E isso se for que essas conversas apareçam; em muitos casos, o foco é mesmo no “to be” e o “as is“ fica mesmo no passado.

Na atividade de Revisão Técnica, de UX e de Negócio (antes eu chamava essa atividade de Nivelando as Funcionalidades), os participantes representam as funcionalidades do produto com suas cores e marcações indicando nível de incerteza, esforço e percepção de valor para o negócio e para os usuários.

exemplo de funcionalidades coloridas - Lean Inception
cores e marcações

Esses cartões de funcionalidades coloridos e com marcações carregam essas informações: migração de “as is / to be”, integração com legado, substituição de módulo, inovação, teste A/B, etc.; seja lá qual for o caso específico da proposta de funcionalidade para o produto em questão.

sopa de pedra
vamos fazer uma sopa?

Confesso que a Lean Inception pode parecer um pouco com aquele conto infantil da sopa de pedra. Lembra? Um amigo te convida para fazer uma sopa, ele entra com a pedra e vai pedindo para você ir adicionando os vários ingredientes para a sopa.

Os participantes da Lean Inception adicionam os vários ingredientes (conversas e discussões baseados na diversidade de conhecimento sobre o assunto e produto em questão). E a sopa, o caldo gerado —o resultado — é específico para aquele grupo, naquela sala de guerra, naquela Lean Inception.

A comparação com esse conto pode parecer pejorativo, mas eu não é. Afinal de contas, os ingredientes são o conhecimento e colaboração entre os participantes. O facilitador é o chef que traz a panela, a pedra e fica mexendo o caldo. Comparando com o conto, não seria somente uma pedra, mas umas sete pedras, cada pedra representando uma atividade/passo da Lean Inception. O facilitador ajuda com a sequência e o artefato gerado em cada atividade, e vai adicionando ingredientes a sopa, e mexendo o caldo.

O resultado é a sopa criada pelos participantes!

O sucesso da Lean Inception está muito relacionando a ter os participantes certos na sala, colaborando efetivamente com um objetivo comum: alinhar sobre o produto mínimo viável e o direcionamento estratégico do produto.

Inscreva-se no próximo workshop Lean Inception do livro Direto ao Ponto e aprenda como alinhar as pessoas e criar o produto certo.