O que é o método Lean Inception

Lean Inception é o nome dado ao workshop colaborativo para alinhar um grupo de pessoas sobre o produto mínimo viável a ser construído.

Tipicamente um grupo de pessoas vai começar a trabalhar em um produto digital. Vários podem ser os motivos para se trabalhar em um produto digital:

  • Alguém investiu na sua startup e você vai colocar a sua ideia em execução
  • A sua empresa está modernizando algo e vai refazer um produto já existente
  • Um grupo anterior fracassou para criar o produto, agora é segunda tentativa, com mais pressão e menos dinheiro
  • Pesquisas indicam um bom direcionamento de negócio, agora o grupo busca o product-market fit

Antes de sair fazendo, o grupo participa de um workshop colaborativo com uma sequência de atividades para alinhar e definir objetivos, estratégias e escopo do produto. Um workshop que usa técnicas de Design Thinking com uma abordagem de Lean* Startup: o workshop de Lean Inception.

* um dos dois motivos para a palavra Lean no nome Lean Inception.

O nome Inception vem do RUP (Rational Unified Process), um processo de engenharia de software criado pela Rational** nos anos 90 para o desenvolvimento orientado a objetos, baseado no UML (Unified Modeling Language).

** A Rational foi comprada pela IBM em 2003. E, nessa época, o RUP era considerado um dos métodos ágeis, com sua proposta de ciclos de entrega mais curtos (apesar de iterações atualmente consideradas longas, como três meses) e incrementais.

Inception é a primeira de quatro fases do RUP: Inception, Elaboration, Construction e Transition.  Na fase de Inception era realizado a análise sobre os objetivos, a arquitetura e o planejamento do projeto. Isso acontecia via entrevistas com os stakeholders, convertidos em requisitos descritos no formato de casos de uso.

Os casos de uso caíram em desuso e o povo dos métodos ágeis adotou o formato de histórias do usuário, o que, como dizia o próprio nome, era para os usuários. Isso aconteceu entre os anos de 2006 a 2010.

O nome inception continuava a ser usado, mas o seu foco e estilo alterou: foram adicionadas atividades sobre os usuários e suas jornadas (influencia de design thinking e user-centric design); muitas histórias dos usuários eram escritas, estimadas, arquitetadas e colocadas em um plano: o plano de release do produto.

Eu participava de muitas inceptions. Eu adorava essa fase, esse início de projeto, essa etapa, essas várias reuniões (muitas vezes, ao longo de quatro semanas) para, enfim, chegar a um plano de release do produto.

Mas em 2011 nasceu meu filho.

Daí você se pergunta; mas o que isso tem a ver com Lean Inception?

Tudo. Ele nasceu e eu nunca consegui ficar longe dele por mais de uma semana. Mas eu era o facilitador de inceptions mais experiente do meu escritório. Eu era chamado para facilitar inceptions em outros países. E essas duravam algumas semanas, tipicamente de duas a quatro semanas, com reuniões no escritório do cliente que contratava a Thoughtworks para a criação do produto digital.

Eu precisava reduzir o tempo de duração das inceptions, deixá-las mais enxutas (Lean), para voltar para casa depois de uma semana de trabalho no escritório do cliente, longe de casa.

E nesse mesmo ano, Eric Ries publicou o livro, agora o best-seller, The Lean StartUp. Nesse livro eu encontrei a desculpa ideal para voltar para casa em apenas uma semana: o MVP, o produto mínimo viável, engrenagem fundamental do ciclo Build-Measure-Learn.

O produto mínimo viável, em Inglês Minimum Viable Product (MVP), é a versão mais simples de um produto que pode ser disponibilizada para o negócio. O MVP determina quais são as funcionalidades mais essenciais para que se tenha o mínimo de produto funcional que possa agregar valor para o negócio (produto mínimo) e que possa ser efetivamente utilizado e validado pelo usuário final (produto viável).

Pronto. Na inception, o foco era em gerar o plano de release do produto, muitas vezes bem completo. Mas na Lean Inception o foco é no MVP, no mínimo viável do produto. Pensamos no produto, mas somente alinhamos e planejamos o MVP. Cansamos daquela época que criávamos muita funcionalidade que não era usada (nossa, como desperdiçamos tempo, e dinheiro!)

E esse foi o segundo motivo do nome Lean Inception. Eu enxuguei as inceptions para caber em uma semana (e voltar logo para casa): a inception ficou mais Lean.

O resultado de anos de experiência prática –a receita da Lean Inception– está descrito no meu livro Direto ao ponto, criando produtos de forma enxuta. Na página do livro você encontra um pdf com os passos da Lean Inception bem como links para vários posts e Q & A sobre o assunto.