Eu sou o Paulo Caroli e esse é o Podcast Mínimo Viável.

Exatamente isso que você ouviu: Podcast Mínimo Viável.

Estou fazendo o Caminho de Santiago. Estou eu e minha esposa já há três dias seguindo o percurso do Caminho de Santiago e, no primeiro dia, eu fiz uma resolução como muitos de nós fazemos, geralmente, no Ano Novo. Fiz uma resolução dessa Caminhada. Aliás, é super importante, às vezes, parar para trabalhar, um intervalo do trabalho para pensar melhor, para trabalhar ainda melhor. Logo no primeiro dia, eu fiz uma resolução sobre podcast. Eu tenho escutado muito podcast e vou te contar a história.

Tenho uma filha adolescente e ela tinha um airpod. Estava usando muito o airpod, todo o dia e ouvindo música para tudo quanto é lugar e eu não tinha. Música eu ouço no computador, ouço em casa. Só que passei a ir mais frequente na academia, até pela questão da pandemia é super importante dar um tempo no trabalho. No meio do dia, na hora do almoço, eu vou na academia e pensei: ah, vou testar esse tal de airpod da minha filha e adorei. Aí eu ia na academia,  comecei baixando, eu adoro ler livro, não conseguia ler na academia, na esteira, na bicicleta, ficava tremendo e baixei audiobook, livro lido e achei maravilhoso. Falei: nossa, agora em uma semana eu consigo ler um livro, ouvir um livro inteiro.

E dos livros eu fui pros podcasts e achei um mundo maravilhoso. Consigo ouvir podcasts de vários assuntos, espiritualidade, de negócios, de empreendedorismo, religiosidade, coisa importante, eu consegui até variar mais os temas que eu escuto. E a caroli.org crescendo e um grande pilar da missão é compartilhar conhecimento e o podcast é uma forma de compartilhar. Então, uma das metas que eu tinha é: vou pensar em criar um podcast. Lembrei que, há tempos atrás, comprei uma câmera e falei: não, vou pensar em fazer vídeos e nunca fiz. Fiz esporadicamente e não funcionou.

E eu, pessoa que fala tanto de MVP, do Produto Mínimo Viável, falei: não, para com isso! Vou inverter isso e vou pensar em como fazer o Podcast Mínimo Viável. Fui na internet e comecei a ler de podcast e, nossa, as dicas são: você vai ter que comprar um microfone maravilhoso que custa tanto, escreva seu texto, pense no que você vai falar e, realmente, são dicas de quem está fazendo um podcast muito profissional.

Só que a gente comete muito esse erro. A gente olha grandes empresas, grandes organizações, grandes pessoas, você olha o produto delas e pensa que tem que fazer o mesmo produto. Vou copiar o produto. Não, não faça isso, não copia o produto, não copia o resultado que a pessoa alcançou, que a organização alcançou. No máximo, copia o processo que aquela organização usa para inovar.

Então, eu quero conversar um pouco sobre exatamente isso: MVP e por que o podcast tem esse nome. O Produto Mínimo Viável, do inglês Minimum Viable Product, que tem a sigla MVP, esse conceito vem do Vale do Silício. O Eric Ries fez ele muito famoso no livro dele de Lean Startup. Eric Ries e Steve Blank começaram esse movimento lá no Vale do Silício.

Eu quero te dar alguns exemplos de MVP. O primeiro, que eu acho magnífico: um bar em Nova York.

Tinha um bar em Nova York que fazia happy hour quinta e sexta, que ficava cheio, de 5 às 7 da noite. Todo mundo sai lá daquela estação de Nova York, toma duas ou três cervejas e vai para casa. O dono do bar teve uma ideia, influenciado por empreendedores, e foi validar. O bar era bem pequenininho, só tinha uma janelinha onde as pessoas iam para pegar a cerveja. Ele falou: e se eu vendesse nesse espaço? Eu posso vender alguma coisa. E se eu vendesse cachorro quente, hambúrguer ou milho no palito? Tenho que escolher só um para vender. Como é que ele fez para escolher?

Escreveu um cartaz, à mão, hot dog $10, hambúrguer $10 e milho no palito $10. Um dia, numa quinta-feira, ele botou o cartaz, um caderno e uma caneta do lado. Aí vinha a pessoa lá, o freguês, alguns fregueses vinham “ah, eu quero uma cerveja e um hot dog”. Ah, desculpa, acabou. E ele fazia uma marquinha no hot dog. Outro vinha “ah, quero uma cerveja e um hambúrguer”. Ele fazia uma marquinha e dizia: desculpa, acabou. E, dessa forma muito simples, ele conseguiu validar que a maioria das pessoas queria hot dog. Na semana seguinte, ele comprou hot dog e passou a vender. Esse é um exemplo simples de MVP.

Vou te dar um outro exemplo, mais da área de produto digital: o Mark Zuckerberg com o thefacebook.com.

O Mark quando começa lá o Facebook, ele ainda aluno de Harvard, tem lá a ideia muito simples de que será que as pessoas vão querer compartilhar foto? Comparar foto? Ele cria um aplicativo muito simples, pega um domínio thefacebook.com, com uma funcionalidade muito básica, que não tinha nem login primeiro. Você podia subir uma foto e comentar nela.

Ele enviou, isso aqui num site na internet ninguém acha, ele enviou um e-mail só para seus amigos, seus colegas de turma: “Oi, quer compartilhar as fotos da semana passada? Sobe aqui”. Olha a simplicidade e, assim, começou um MVP, um Produto Mínimo Viável para validar se pessoas estavam interessadas em compartilhar foto em alguma coisa que passou a ser uma rede social. Depois, ele seguiu evoluindo o produto, validando, MVP, MVP, passando até pelo ciclo de construir, mentira, aprender, mas baseado no aprendizado do usuário.

Um outro exemplo que acho interessante também é o Steve Jobs, quando ele lança o primeiro iPhone.

Olha que época diferente, Nokia dominava. Alguém ia imaginar que alguém pagaria um valor caro por um telefone, que se cair no chão do elevador ele vai quebrar a tela? Era uma tela inteira, não tinha nem teclado. Imagina isso, alguns anos atrás quando tinha Nokia e todo telefone tinha que ter um tecladinho. Grandes marcas estavam vendo como a gente faz para inventar um teclado para a pessoa digitar.

Steve Jobs bolou uma coisa completamente diferente. E quando ele lança no mercado, ele não lança um produto completo. Ele lança o MVP de um produto. O iPhone a qualidade de ligação era muito pior que os concorrentes. Steve Jobs não estava querendo validar se as pessoas usavam o iPhone para ligar. A tecnologia de GPS já estava disponível. O iPhone vinha sem GPS. Ele não queria validar nada com relação ao GPS. Lá na frente, talvez ele quisesse, mas não ali, naquele momento.

Vem com uma tela grande, tinha um bug no iPhone. Eu sei, porque um amigo de um amigo meu trabalhava na equipe de iPhone e falou dessa conversa que ele teve com Steve Jobs. Tinha um bug do copy text, você não podia copiar um texto de um app para outro. Por exemplo, chegava uma mensagem de texto você não conseguia copiar para o e-mail. Isso aconteceu com um amigo meu que não sabia português. Chegou uma mensagem de texto para ele e ele disse me ajuda aqui. Eu disse copia e me passa por e-mail e ele não conseguia copiar. E o desenvolvedor da Apple falou: “não, olha só, eu já resolvi. Na minha máquina está funcionando”. Só que levava três semanas, porque tinha que ir pro firmware lá do telefone.

E o Steve Jobs falou: “não, vamos com esse bug, eu quero MVP”, ele estava querendo validar. Eu, na época era desenvolvedor lá no Vale do Silício, eu recebi um e-mail da Apple falando “Oi, desenvolvedor, está interessado em desenvolver apps? Que a Apple vai lançar uma plataforma que vai funcionar com iPhone, com não sei o que e esse vai ser o futuro”. Então, um e-mail super motivador para estar validando se desenvolvedores iam se interessar em desenvolver apps pro iPhone.

Olha que interessante, a plataforma não estava pronta. Os primeiros apps que aparecem lá no primeiro iPhone, estão rodando direto em cima do firmware do telefone. Eles não estavam rodando em cima da plataforma. A equipe da Apple ainda estava criando a plataforma. Mas, eles queriam validar: será que desenvolvedores vão desenvolver usando esse contrato que a gente está fazendo para os apps? E tiveram um grande número de respostas. Olha a ideia da plataforma é boa e tem desenvolvedor que não é nosso, que não é da Apple e que está querendo desenvolver.

Então, essa é a ideia de trabalhar com MVP. Agora, eu volto pro assunto do Podcast Mínimo Viável.

Eu falei: ai, eu vou fazer um podcast, vou pesquisar qual o microfone, vou decidir a hora da manhã, talvez acorde meia hora mais cedo para todo dia pensar no que vou falar e escrever e, na sexta-feira, eu faço a gravação do podcast semanal e depois vou ter que editar. Não, né?

Eu quero trabalhar com MVP, com Mínimo Viável, qual o Mínimo Viável? Eu estou com esse airpod aqui no meu ouvido, que trouxe nessa caminhada aqui de Santiago para ouvir podcast, ouvir música e fui à noite ver como que faço para gravar usando o airpod. Tenho aqui um app super simples e falei: tá, qual é o Mínimo Viável para um podcast?

Eu tenho que gravar alguma coisa, aliás, o intuito do MVP é validar uma hipótese. Eu tenho uma hipótese que é será que as pessoas vão querer ouvir o que eu estou falando? A grande hipótese que eu tenho da minha suposição de criar um podcast Mínimo Viável. É isso que preciso validar, só que não vou validar com uma pesquisa do usuário. Talvez eu pergunte para as pessoas, para minha rede de contatos, pros e-mails que eu tenho: Oi, você queria um podcast meu? Provavelmente, as pessoas vão dizer sim, eu queria, faz aí. Mas e aí? Essa é a diferença de lean startup, desse pensamento de fazer o Mínimo Viável ou o design centrado no usuário, na pesquisa do usuário.

Eu não vou pra rua com uma pesquisa, com pergunta. Eu sou mais do estilo do Eric Ries, do Steve Blank, do Henry Ford. O Steve Blank e o Eric Ries falam: vai pra rua, vai pra rua validar sua hipótese, não vai com muita pergunta pro usuário, vai com alguma coisa minimamente viável pra validar se teu usuário vai usar da forma que você quer, pra gerar aprendizado. Depois, se tiver, se teu usuário tem alguma coisa sua que ele está usando, aí você pergunta pra ele: e aí, o que mais você quer? Tu gostou desse nome? O que você mudaria? Mas, vai pra rua com algo em mãos. Aquela célebre frase do Henry Ford: se eu tivesse perguntado pros usuários o que eles queriam, lá em 1914, eles tinham falado eu quero o cavalo mais rápido. Ele não foi perguntar, ele criou carros.

Esse é a ideia do MVP. Então, eu também não vou perguntar. Eu estou gravando aqui esse podcast minimamente viável e o que vou fazer? Eu quero validar se as pessoas querem ouvi-lo. Não vou perguntar: oi, você ouviria? Eu vou enviar o áudio dessas gravações que estou fazendo, que nem o Mark Zuckerberg fez, vou enviar pros colegas e pros poucos grupos de WhatsApp que participo ativamente e, no final da gravação, eu vou perguntar: e aí, você ouviria outro desses? Se você ouviria, me dá um sinal, me manda o contato. Esse é o mínimo que eu consigo fazer e é isso o que eu vou fazer.

Mas, eu quero, ainda, tocar em mais um assunto: o outro assunto é o Caminho de Santiago e a transformação. Só que isso vai ser um tema para um segundo capítulo desse podcast.

Então, se você gostou de ouvir o que você ouviu até agora, me ajuda a validar se faz sentido esse Podcast Mínimo Viável, por favor. Compartilha esse áudio, essa sequência de áudios com os seus amigos, em outro grupo de WhatsApp e, pra quem quiser me dar o feedback, é exatamente esse feedback que vou usar para decidir se continuo gravando ou não, por favor, me envia um e-mail para [email protected] e escreve no subject: quero mais. E, assim, vou decidir se sigo com esse Podcast Mínimo Viável. Um abraço!

 

Notas do episódio