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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

Neste episódio do Podcast Mínimo Viável, a Marcela Azevedo, a Alejandra Nadruz e eu esclarecemos se é necessário usar Scrum, Kanban, Lean Inception e Design Thinking no RH para ser ágil.

Facilitadora Duda Chaieb lê a pergunta recebida: “Eu preciso usar Scrum, Kanban, Lean Inception, Design Thinking para ser ágil?”

Marcela Azevedo: Ou seja, eu preciso fazer uma imersão em ferramentas, frameworks? Eu sempre falo não existem respostas erradas ou respostas certas. Existem pontos de vista. No meu ponto de vista, não. Não precisa. Hoje em dia, como consultora de Change Management, eu conheço empresas que já são ágeis, que têm práticas de colaboração, que são transparentes no seu processo, que fazem equipes multidisciplinares para discutir e criar seus pequenos projetos, mas eles nem chamam isso de ágil, Caroli.

Eles chamam isso de trabalho, como qualquer outro trabalho, ou seja, eu precisei de falar que tem que ter uma equipe multidisciplinar para ser ágil? Não, porque o que importa? Enquanto isso, na contraposição, têm empresas que postam fotos no LinkedIn, com Kanbans enormes, ou com os times Scrum e falando a minha empresa é ágil. Mas quando eu tenho oportunidades, às vezes, de fazer um bench, essa empresa, a equipe multidisciplinar é cilada, ninguém entende o que acontece lá, eles não são nada transparentes, eles não se comunicam com o restante da empresa para mostrar os resultados e para impulsionar a agilidade.

Ou seja, em muitos casos, não é necessário. Eu vou contar um caso de exemplo, até para inspirar as pessoas que isso é bem legal. Eu estava desenvolvendo um programa de treinamentos para uma companhia e era um programa de treinamentos para Latam, ou seja, em todos os países, Colômbia, Argentina e comecei a construir um programa maravilhoso do ponto de vista de RH.

Fiz minha primeira apresentação, show de bola. Na minha segunda apresentação, um VP de RH me perguntou: você se reuniu com as pessoas para entender a real necessidade delas a respeito desses tópicos do treinamento? A minha cara caiu no chão, ou seja, eu construí um treinamento lindo, mas em nenhum momento eu validei com as pessoas que iam receber aquele treinamento, se aquele conteúdo entregava valor.

Ou seja, a gente, às vezes, não precisa de nenhuma ferramenta. A gente precisa de um mindset que nos possibilite, eu preciso me conectar e conversar com meu cliente interno, seja ele meu funcionário, um gerente, o VP, entender as reais necessidades dessas pessoas para construir um produto que entrega valor. E aí Caroli, o que você acha ou Alejandra?

Paulo Caroli: Muito bom, muito bom teu exemplo. Alejandra, conta aí para a gente.

Alejandra Nadruz: Vamos lá, eu acho que a Marcela falou tudo tá e eu compartilho assim muito dele o que ela trouxe como reflexão, mas acho que essa pergunta pode ser respondida de uma forma, um pouco mais até filosófica falando. Existe uma diferença entre ser ágil e fazer ágil e eu gosto de fazer essa distinção.

Ser ágil é uma predisposição, ser ágil é além de um modelo mental, é uma predisposição não só de uma área de pessoas, mas uma predisposição de toda a empresa para, genuína e verdadeiramente, olhar para as pessoas, para mim é isso é ser ágil. Se a gente fala que ser ágil é usar ferramentas, eu acho que a gente está indo por uma postura muito reducionista sobre o que é ser ágil.

Eu posso estar fazendo ágil utilizando o Kanban, sem dúvida, mas para ser ágil, eu vou precisar colocar o ser humano no centro da conversa, criar conversas difíceis, ter uma escuta ativa, olhar olho a olho as pessoas, é um processo de grande transformação, pois é essencial ser ágil. Então, compartilho com a Marcela, para mim não é preciso tá e eu faria essa grande distinção, uma coisa são ferramentas que ajudam e simplificam logicamente, mas outra coisa em essência é ser ágil. Ser ágil é um modelo, é uma postura, um olhar um pouco diferente da organização como um todo. O que tu acha, Caroli?

Paulo Caroli: Adorei os exemplos, adorei o exemplo da Marcela, concordo muito contigo, Alejandra, do ser e do fazer, porque é muito mais importante ser do que fazer. Mas, bom, deixa eu me apresentar, eu sou o Paulo Caroli, eu tenho a Lean Inception, é uma das ferramentas ágeis né e adoro várias das ferramentas.

Ferramenta é útil, é que nem uma caixa de ferramenta. Em casa, você tem uma caixa ferramenta que tem um martelo, tem uma chave de fenda, elas são úteis quando você precisa, mas o mais importante de tudo isso é você saber quanto usar e quando usar o quê. Até a primeira frase do Agile Manifest é pessoas e interações mais que processos e ferramentas.

Não é que as ferramentas não são importantes, elas são e elas estão ali, mas o mais importante são as pessoas e as interações. E a agilidade para a gente né, todos que estão aqui estão falando isso muito claro, a agilidade é muito mais do que um ferramental ou qual o método a gente está usando, é muito mais esse estado de espírito, é o ser ágil, da gente ter um objetivo que quer alcançar.

Um exemplo é do martelo e o prego. Se você tem uma ferramenta que tem um martelo, fala cara eu vou botar esse prego na parede e já quero botar um quadro aqui, mas se aí é um quadro que você quer ou você quer deixar a casa mais bonita? Se você vai conversar com o usuário, no exemplo que a Marcela deu, talvez, o usuário quer deixar a casa mais bonita, você nunca conversou com ele e teu usuário quer é um papel de parede, não um quadro, então o martelo não vai adiantar para nada.

Então, é muito importante entender o que queremos, para, depois talvez, você escolher qual a melhor ferramenta para fazer isso.

Marcela Azevedo: Porque é o que eles falam que, às vezes, eu sempre falo como sendo um RH, porque eu tive 10 anos atuando como RH e depois fiz uma transição para o ágil e hoje eu favoreço transformação em Change Management. No final, a gente tem que pensar da seguinte forma: o que entrega valor para o meu cliente?

E, às vezes, infelizmente, nem ele sabe. Às vezes, o que ele vai vir trazer em uma conversa para nós do RH é: eu preciso de um funcionário, eu estou com um problema todo mundo está sobrecarregado, eu preciso de uma pessoa, RH por que você não consegue contratar essa nova pessoa? E, às vezes, o nosso papel é stop and think, ou seja, pare e pense e depois você vai ver que o problema não é contratar uma nova pessoa, é redefinir papéis e responsabilidades.

Ou seja, quando você é ágil e é centrado em pessoas, primeiro, você não fica resolvendo problemas assim apagando incêndio, você faz as pessoas pararem e, às vezes, pensar o que realmente agrega valor para o negócio? E, às vezes, o cliente interno ele está pensando no problema agora e o que você vai fazer é, daqui um tempo, nesse momento de passar o sufoco, a gente vai ter trabalho para essa pessoa? E, às vezes, não.

Então, isso é muito importante: é realmente ser centrado no nosso cliente para ajudá-lo a encontrar o que realmente vai entregar valor para ele e não apenas na ferramenta, por mais que existe um ponto que é importante, não sei se a Alejandra concorda comigo: às vezes, a ferramenta vai forçar uma mudança.

Se as pessoas não estão acostumadas em ser transparentes, se as pessoas não estão acostumadas a fazer reuniões em conjunto, para fazer o movimento de Kanban, você implementa um Kanban e esse dia a dia de mexer os cards, de fazer uma sessão para falar como foi o dia anterior, quais as tarefas que ficaram com alguma barreira ou não, vai destravar um processo que, às vezes, as pessoas sempre queriam, mas elas não sabiam que seria possível.

Então, assim, preciso usar? Não, mas se você usar num processo de experimentação, você que nunca trabalhou com ágil, se você usar, pode ser que nessa primeira ferramenta você vai despertar nas pessoas um interesse por ser ágil, não só fazer ágil.

Alejandra Nadruz: Sim, eu compartilho aí só contigo, a utilização da ferramenta pode ser um caminho ou uma porta que se abre para um processo mais amplo que o de transformação para a agilidade sim e eu acho muito, muito inteligente a tua ideia, porque entre não fazer nada, se propor fazer um movimento de ser ágil e utilizar uma ferramenta, utilize uma ferramenta, porque ela vai gerar algum movimento. Entre não fazer nada e utilizar uma ferramenta, utilize uma ferramenta. Eu achei bem inteligente, acho que sim tá.

Paulo Caroli: Eu achei muito bom é a ferramenta para despertar o interesse e a agilidade nas pessoas. É para ser uma faísca, não o fogo todo.

Marcela Azevedo: Com o tempo, as pessoas passam a se apaixonar, porque elas descobrem que no dia a dia é tão gostoso essa questão de ser transparente, ou seja, se alguém precisar saber do meu projeto, é só entrar no Kanban, está lá para todo mundo. Não precisa marcar uma reunião para fazer um report, eu não preciso de marcar uma reunião para contar que eu terminei uma tarefa, é só mover o card. E aí quando eles percebem, caramba, eu já estou fazendo ágil e aí o propósito vai no dia a dia.

Alejandra Nadruz: Porém, a gente tão pouco pode cair na cilada de achar que, por utilizar uma ferramenta, a gente é ágil. Eu acho que essa distinção é importante, mas a tua ideia de se não estou fazendo nada, começar por uma ferramenta é uma ideia muito inteligente, como porta de entrada para a agilidade, gostei muito. Mas tão pouco não pense que por utilizar Kanban já é ágil, as pessoas não se conversam, utilizam o Kanban e está tudo certo.

 

E aqui o episódio de hoje. Espero que você tenha gostado. Eu te peço para se inscrever e recomendar esse podcast na sua plataforma de podcast preferido, como Spotify e YouTube, e nas redes sociais. Ou, como eu prefiro: recomende aos amigos. Assim, você me ajuda com a missão de compartilhar conhecimento sobre as novas relações de trabalho, de forma a contribuir para a transformação de um mundo melhor.

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Notas do episódio:

Festa de Lançamento Virtual do Livro Repensando o RH: Ágil, Diverso e Exponencial, de JP Coutinho

Novidade: Treinamento Rethinking HR – em breve agenda liberada

 

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