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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

Neste episódio, eu vou fazer algumas reflexões de mais de uma década de Lean Inception.

Essas reflexões vieram para mim naturalmente hoje. Hoje, é um dia muito especial, eu estou com meu filho, que ele está comemorando o aniversário dele de 11 anos com os amigos dele em um parque de diversões.

Eu estou acompanhando eles, aí enquanto eu espero, eles saírem dos brinquedos e eu estou aqui parado com meu telefone, pensando e, por isso, eu decidi gravar esse episódio.

11 anos atrás, quando nasce o meu filho, uma decisão muito grande na minha vida. Eu como consultor, como facilitador de Inception, que as Inceptions, antes da Lean Inception, levavam algumas semanas e, com a vinda do meu filho, tomei uma decisão na minha vida e eu falei: não, eu vou reduzir o período da Inception para eu não ficar longe de casa mais do que uma semana.

Daí, foi meu primeiro intuito em fazer uma Lean Inception e aí vem a minha primeira reflexão: a Lean Inception é mais do que somente fazer uma Inception em poucos dias. Mas, para mim, naquele início né e para muitas pessoas que começam a se interessar por Lean Inception, elas vêm por esse interesse, por esse motivo: nossa, coisa boa, é Lean, é mais curto, é mais reduzido.

Essa pra mim é a primeira reflexão, até uma conclusão, de que nós do mercado a gente precisava reduzir alguns projetos, algumas iniciativas, porque a Inception, no início, era muito longa. Então, reduzir esse início é importante em alguns casos tá.

Têm alguns perigos, a gente tem que cuidar, porque o mundo, apesar da palavra Inception significar começo e Lean Inception é um começo para alinhar um grupo, negócio, as pessoas que entendem de usuários, as pessoas que entendem de tecnologia para alinhar, para ver qual solução eles vão buscar, qual é a visão do produto, qual o primeiro passo para o Produto Mínimo Viável.

Bom, primeiro começa com a Lean Inception. Têm coisas que acontecem antes, por exemplo, um bom período de descoberta, de User Research. Então essa é a primeira constatação: muita gente passou a usar a Lean Inception.

Só que é muito importante dizer, aliás, esse mês eu falei com quatro projetos diferentes que me chamaram e falaram: Caroli, preciso de uma Lean Inception e os quatro, depois que eu conversei, eu estou no mês de maio e todas as Lean Inceptions foram para o mês de junho, porque todos precisavam de um período inicial de entendimento, de buscar informação, de User Research, de mais informações sobre o contexto do negócio.

Então, sim, a Lean Inception foi de todos esses quatro projetos, coincidência, foram para junho e esse período inicial de maio é para buscar essas informações.

Uma grande constatação é que, sim, todo mundo queria um começo mais rápido, então, Lean Inception atraiu isso, mas, também, a gente entendeu que não se começa tudo com uma Lean Inception. Ela até ajudou pelo nome ficar Lean Inception, ser muito curto e ficar mais clara a diferença do que vem antes e o que é Inception. Porque, antes, descoberta, Inception, User Research eram sinônimos para as mesmas coisas. Era só um período inicial muito grande.

Eu vou voltar no tempo. Para mim, eu acho que acontece para muita gente também, o que foi que eu fiz lá em 2011? Eu li o livro do Eric Ries, gostei muito do The Lean Startup, gostei muito do conceito de Produto Mínimo Viável, mas nenhuma organização que eu passava estava usando isso ainda.

Ainda era muito recente. Nas primeiras vezes que eu vim com o conceito de Lean Inception, até o sequenciador de funcionalidades, o sequenciador de features, eu falo de MVP desde o início, tem o intuito de falar qual é o primeiro passo e os incrementos seguintes.

Primeiro, que a gente nem usava tanto assim a palavra incremento antes. The Product Increments acabou ficando mais comum agora, uma década depois, essa é a primeira constatação. E depois que MVP a gente não usava muito, poucas pessoas usavam, mas naquela época, tanto o MVP quanto os incrementos seguintes era quase um planejamento de release.

Então, eu aceitava, a gente botava no sequenciador… o primeiro vai até aqui, depois daquilo ali e parecia ser uma release 1, release 2, release 3. Para a época, mesmo com muitas pessoas usando a Lean Inception antigamente, aliás, algumas né organizações que estão indo ainda para esse movimento de usar Lean Startup, algumas ainda usam a Lean Inception como isso, o MVP é a primeira release. Depois, o próximo incremento é a seguinte.

Eu até deixo isso, mas tenta já usar com o nome MVP, porque, ao longo do tempo, as pessoas vão se acostumar e vão falar: Pera aí, mas MVP não é uma release, MVP é um mínimo viável para validar algo e, com o tempo, as próprias organizações que começam a usar Lean Inception vão melhorando o seu uso do conceito de MVP e de Lean Startup.

Para quem conheceu o livro antigo Direto ao Ponto, o que eu fazia que eu considero errado desde o início tá, mas eu fazia isso: Eu botava num post it e escrevia MVP 1, depois MVP 2 e depois MVP 3 e, na real, eu creio muito que não existe MVP 1, 2, 3. Você tem o mínimo viável e, depois disso, é incremento de produto e a gente segue incrementando o produto desde que estejamos validando alguma hipótese.

Ou seja, nunca coloca uma funcionalidade ou algo no produto que não esteja validado e a gente coloca algo para verificar se usuários realmente vai usar daquela forma e se vai ajudar o negócio daquela forma. Se validar, isso vai virar uma feature do produto e vai ficar no produto. Se não validar, não vira uma feature do produto, você nem incrementa essa feature para virar uma feature do produto.

Uma grande constatação que, antigamente, a gente fazia a feature, a gente planejava e entregava ela toda. Hoje, a gente planeja uma feature, mas a gente não entrega ela toda, a gente faz o quê? O mínimo viável para validar se aquilo vai fazer sentido para o negócio.

Então, o que mudou? A gente não faz mais feature de produto, por mais que seja a feature de um produto digital, a gente faz feature de um MVP do produto ou feature de um incremento do produto e esse incremento tem que estar validando uma hipótese do negócio.

Quando uma nova feature vai para um produto, na verdade, ela não vai para o produto. É a feature de um MVP o qual está validando uma hipótese do negócio. Se a hipótese sim é validada, aí sim essa feature você incrementa, aumenta, melhora ela e ela passa a ser uma feature do produto.

O conceito de MVP e produto hoje, uma década depois, está muito mais esclarecido. Então, quando a gente está lá no início, especialmente, agora sim da palavra Inception, a gente está com features emergentes, features que ainda estão sendo validadas.

Se você está com um produto já estabelecido longe da Lean Inception, você está falando de features que já foram validadas, que já estão no produto. Então, é bem interessante. Quando você está falando de uma feature de produto, você está falando uma feature que está em validação, se você está em uma Lean Inception, provavelmente, você está falando de uma feature de validação ou você já está com o produto estabelecido e a feature já está validada.

Muito importante, que eu vi que aconteceu nessa última década, são os workshops colaborativos. Antigamente, no início, era muito difícil convencer as pessoas de ir para uma sala trabalhar no workshop colaborativo. Hoje, está, relativamente, mais fácil. Eu sei que algumas empresas ainda são novas com esse tipo de workshop Design Sprint, Lean Inception e ainda sentem a dificuldade: mas, espera aí, como é que eu paro a minha equipe por uma semana?

Dez anos atrás era muito mais difícil. Hoje, várias organizações já perceberam o valor desses workshops colaborativos, do benefício desse alinhamento inicial e aceitam fazer isso e já liberaram as suas agendas né. Então, a gente já começou a ter, por exemplo, team topologies do livro saiu, que a gente fala de streamline teams. Então, streamline teams é esse time que vai na Lean Inception. Então, o time já está junto. Ficou, relativamente, bem mais fácil juntar as pessoas em um workshop colaborativo.

Isso é uma mudança grande, eu lembro que, há dez anos atrás, para convencer isso era muito mais difícil. Hoje, mesmo fora do Brasil, que a Lean Inception ela está muito famosa no Brasil e começa a ficar famosa em outros países. Mesmo um canto do mundo que ainda não ouviu falar em Lean Inception, eu nem uso o nome de Lean Inception, mas eu falo de um workshop colaborativo e todo mundo entende o que é. Ficou, realmente, muito mais fácil.

Por último, é a questão da pessoa facilitadora. Nas empresas, agora, é reconhecido esse skill de facilitação. Então, têm mais pessoas facilitadoras, antigamente, eram menos. Até agora, qualquer organização que eu vou, tem muitas pessoas interessadas em, Caroli, eu posso parear contigo? Caroli, me ensina que eu quero facilitar também.

Eu acho que é um skill que está mais difundido e está sendo mais reconhecido também. Inclusive, novos líderes agora têm e se interessam por esses skills de facilitação também.

Então, é isso, essas foram minhas reflexões, aproveitando agora o aniversário do meu filho de 11 anos, que eu parei para refletir nesses 11 anos que eu tenho facilitado Lean Inception e passado por muitas organizações, algumas delas já estão usando Lean Inception há mais de dez anos. Beleza?

 

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Notas do episódio:

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