“Pense grande, comece pequeno, aprenda rápido”. Escolhi essa frase para começar o texto pois ela representa como é o trabalho ágil utilizando o MVP.

Provavelmente você já ouviu muito falar sobre MVP, estou certo? O produto mínimo viável (ou minimum viable product) é um conceito que surgiu no Vale do Silício e ficou muito famoso após a publicação do livro Lean Startup, do autor Eric Ries.

O MVP, como o próprio nome já diz, é o produto mais simples que será criado e disponibilizado aos usuários para validar uma ideia e coletar dados imprescindíveis para validar o direcionamento do produto. Mesmo que o produto final seja algo muito maior, esse mínimo será essencial para descobrir se o caminho está correto ou se é preciso mudar (pivotar) o direcionamento.

Utilizando uma analogia, imagine que o seu produto final é como um bolo. Para fazê-lo, você deve pensar em todas as camadas, certo?

Antes da virada do século, antes das metodologias ágeis, o “normal” era planejar e construir todo o bolo. E somente entregá-lo quando estivesse completo.

Porém, utilizando a metodologia ágil, você consegue planejar o bolo completo, mas entregar para o consumidor (ou alguém que verifica se está como o consumidor deseja) fatia a fatia. Assim, se ele não gostar, o bolo inteiro não será desperdiçado: você cancela o projeto.

E onde o MVP entra nessa história? Ele é como um cupcake, uma versão menor e mais simples (mas ainda viável) do bolo. O conceito de MVP emerge no movimento Lean StartUp, no fim da primeira década deste século.

Assim, o consumidor pode experimentar e decidir se gosta ou não. Nesse caso, não é necessário alguém para verificar se está como o consumidor deseja – o cupcake é completo! Deixe o próprio consumidor experimentar e decidir. 

Você ainda pode fazer mais de um cupcake, de sabores diferentes para que o melhor seja escolhido. Isso vai permitir que o seu produto seja validado ou, então, direcionado para o melhor caminho.

Vamos pensar em um outro exemplo: imagine que você queira criar um trator para cortar grama. Ao invés de investir tempo e recurso já de cara no produto final, você pode primeiro fazer o MVP dele. Uma tesoura para cortar grama, por exemplo, consegue fazer a validação das primeiras perguntas: “Esse produto é útil? Há grama para ser cortada? Existem usuários que pagariam por um objeto que faça isso?”

Para que essas perguntas sejam respondidas, é preciso selecionar nichos de usuários que irão utilizar o produto em primeira mão. O feedback dessas pessoas será imprescindível para as tomadas de decisões tanto sobre o produto quanto sobre o negócio. E não é necessário enviar para milhares de pessoas, pois isso vai contra o conceito do MVP de fazer os testes de forma rápida e poupando recursos.

Com esses dados dos primeiros usuários, você vai evoluir o seu MVP para um outro MVP. De um em um, aprendendo, validando e incrementando as funcionalidades até chegar no produto final.

Você sabia que até a Apple trabalhou dessa maneira? O primeiro Iphone era um produto mínimo viável! Ele tinha bugs e poucas funções, ou seja, era um produto incompleto. Mas ele serviu para validar a ideia de que o smartphone da Apple seria um produto a ser consumido (e muito desejável!)

Com o Facebook foi a mesma coisa. O que começou como um site simples que servia apenas para alguns amigos compartilharem suas fotos, foi ampliado e incrementado até chegar na rede social que é usada por milhões de pessoas ao redor do mundo!

Um exemplo de negócio brasileiro bem-sucedido e que utilizou o MVP é a EasyTaxi. Antes de criarem o aplicativo, a startup validou a hipótese que existia demanda de chamar um táxi de forma online. Os fundadores fizeram isso por meio de uma página Web na qual a pessoa colocava as informações para pedir o taxi (os fundadores recebiam um e-mail e ligavam para uma cooperativa táxi em nome da pessoa). Gradualmente, o negócio evoluiu para uma incrível história de sucesso.

 

Pense grande, comece pequeno, aprenda rápido. Elabore o MVP, o produto mais simples que será criado e disponibilizado aos usuários para validar uma ideia. Tweet This.

 

Uma coisa que todas essas empresas fizeram e você também precisa fazer é não se esquecer da palavra “viável”. Por mais que seu produto ainda esteja incompleto, ele precisa ser funcional e usável. Caso contrário, se ele não funcionar, você pode quebrar o seu negócio antes mesmo dele começar.

Para o MVP – e consequentemente o produto – dar certo, ele precisa atender a esses quatro requisitos: ser valioso, ser factível, ser usável e ter o fator “uau” (o diferencial, a inovação). O Iphone, o Facebook e o EasyTaxi eram tudo isso de uma só vez, mesmo em suas versões mais simples. Você não pode escolher ser primeiro valioso e depois usável. Todas essas características precisam estar presentes ao mesmo tempo.

Mas como decidir qual será o caminho do MVP? Infelizmente não é fácil. E torna-se ainda mais complicado quando as pessoas envolvidas não estão alinhadas. É por isso que o primeiro passo é realizar uma Lean Inception!

Lean Inception é a combinação eficaz do Design Thinking e do Lean StartUp para decidir o MVP. É um workshop dividido em várias etapas e atividades que irão direcionar uma equipe ágil na construção do produto ideal. Direcione o seu negócio, o seu produto, a sua equipe para o sucesso: faça uma Lean Inception.

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